A democracia do frescobol

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As metrópoles mundiais estão cada vez mais segregacionistas, e o Brasil – é claro – não escapa dessa triste realidade. No exterior e aqui, suas estruturas são feitas para separar pessoas de origens e classes sociais distintas, fazer com que elas compartilhem espaços físicos pelo menor tempo possível. No mundo ideal dos seus donos e dos políticos, apenas durante o horário comercial e o cada vez maior tempo de deslocamento casa/trabalho/casa em cidades onde pouco se caminha, muito se dirige e sempre se engarrafa.

Os exemplos são inúmeros: os principais estádios de futebol há muito deixaram de ser populares. Cinemas cobram R$25 por filme, grandes shows não saem por menos de R$80. Nos seus momentos de lazer, os ricos e a classe média ficam confinados nos condomínios e shopping centers, enquanto os pobres se restringem às áreas de periferia. Mas o Rio de Janeiro, cidade grande e praiana, consegue de alguma forma ir de encontro a essa tendência.

A praia de Copacabana é um dos poucos espaços verdadeiramente democráticos da cidade. Felizmente ela ainda é pública, e dividem sua areia quente ricos e pobres, brancos e pretos, magros e gordos, brasileiros e estrangeiros. Na praia, a possibilidade de diferenciação pela posse de bens materiais é bastante reduzida. Estão todos sem camisa, de bermuda e chinelo sujo. Somos quase todos iguais.

Mas o maior exemplo do que é esse largo e às vezes caótico espaço de lazer se dá na beira da água, no final da tarde de um domingo. Enquanto o sol vai indo embora, pessoas jogam altinho e frescobol. Duas instituições tipicamente brasileiras e ainda mais cariocas. Esportes só praticados aqui. Diferentemente de outras modalidades, nelas não há competição, vencedores e vencidos. Todos os praticantes participam do jogo unidos pelo mesmo objetivo: manter a bola no alto.

E se a vida em geral nos ensina a competir e a vencer um inimigo que sempre deve existir, ainda que sem um motivo lógico e justo; esses passatempos nos provam que ela também pode ser doce. E, por alguns momentos, se resumir a um casal recolhendo as suas raquetes e, de mãos dadas após apreciar o pôr do sol, dar as costas ao horizonte e se despedir de mais um dia celebrando o amor e o início do fim de mais uma semana.

Colaboração de Sidney D. Santana

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